quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Camisetas do Viagem no Tempo
Galera, ficaram prontas as camisetas do blog Viagem no Tempo. Quem estiver afim de uma, é só seguir o meu perfil no Twitter @leandrojacruz e ficar atento às dicas.
Serão várias camisetas nos próximos dias. Os ganhadores serão anunciados no twitter e no blog.
Em breve, postaremos também novos modelos de camisetas.
Ajude a divulgar o www.viagemnotempo.com.br , a História pensada de um jeito diferente.
Abraço.
http://twitter.com/leandrojacruz
domingo, 24 de outubro de 2010
500 anos embaixo da terra
A história da exploração das minas e dos mineradores da América Latina
(Jornal do Povo - 23/10/2010)
por Leandro Cruz, historiador
Na semana passada o mundo inteiro ficou olhando para um buraco no chão, um buraco no meio do deserto. O resgate dos 33 mineiros chilenos foi um 11 de setembro às avessas. Se transformou num espetáculo televisivo internacional, mas em vez de perdas de vida em choques de aviões, desabamentos e saltos para a morte, víamos homens (que poderiam estar mortos e enterrados havia 70 dias) sendo trazidos de volta ao mundo dos viventes.
É claro que pessoas vão lucrar muito com essa história, como o presidente (que viu sua aprovação subir 15 pontos para 73%), editoras, estúdios e (esses merecidamente) os próprios resgatados.
A operação foi um sucesso incontestável. Os 33 estão vivos. Êxito da vontade de viver e do trabalho em equipe deles, da tecnologia e de um governo que enfrentava greves da população de origem indígena e via sua popularidade cair vertiginosamente. Caso morressem, entretanto, se juntariam a uma enorme multidão de homens que morreram ao longo da História na América Latina de forma anônima, buscando metais valiosos que jamais lhes pertenceriam.
Com gelo no Sul, deserto ao Norte, cordilheira a Leste e mar a Oeste, o território do Chile é geograficamente isolado do resto do mundo, o que, num mundo cheio de nações imperialistas, significa proteção. Até mesmo os Incas, um século antes da chegada dos europeus ao continente, haviam desistido de enfrentar as tribos autóctones daquela região e anexá-las aos seus domínios. Simplesmente, para eles, não valia a pena. Mas os espanhóis teriam uma maior sede por riquezas, uma maior determinação, cavalos e armas de fogo.
Acontece é que Francisco Pizarro, logo nas primeiras décadas do século XVI, já havia conquistado o Peru e saqueado os templos e palácios incas (pra não falar nas mulheres violadas e nos assassinatos). Desde então, não faltaram aventureiros em busca de metais valiosos, acreditando que pudessem também descobrir e subjugar outros impérios ricos, como os encontrados no Peru e no México.
Os indígenas entenderam o que os espanhóis queriam e, para que os espanhóis "dessem um pouco de sossego" aos seus povos, criaram a lenda do Eldorado. Diziam existir uma grande cidade em que até os palácios era feitos de ouro, em que o rei tinha o corpo besuntado de óleo e depois coberto de ouro em pó. As lendas exageradas iam se misturando com relatos cerimoniais sobre oferendas em ouro lançados em lagos profundos. A cada lugar que os espanhóis chegavam, os nativos indicavam um caminho diferente: mais ao sul, mais ao norte, no atual estado de Roraima, nas Guianas e no Chile (além do deserto e da montanha).
Mas durante essa busca pela cidade de ouro não deixaram de cometer seus saques e violências contra os nativos que encontravam. Enquanto não achavam o Eldorado, nativos eram forçados a trabalhar nas minas.
Até então, a única coisa que os brancos conheciam sobre o território protegido pela Patagônia, pelo Atacama e pelos Andes eram relatos sobre seu litoral, "descoberto" por Fernão de Magalhães (ainda falaremos mais desse cara outro dia). O primeiro a buscar o Eldorado no Chile foi Diego de Almagro, companheiro de Pizarro na aniquilação e saque dos Incas. Ele cruzou os Andes, andou centenas de quilômetros e só achou gelo, deserto e morte. Desistiu depois de perder muito dinheiro e homens na aventura.
Outros vieram depois e, depois de descobrir os caminhos para vencer a cordilheira e ou o deserto, não foi difícil vencer os nativos. E uma vez que não existia nenhum palácio de metais valiosos por ali, os indígenas tiveram que ir para as minas, para o fundo da terra, tirar ouro e cobre para os brancos.
A história se repetia de maneira parecida por toda a América. Muita coisa mudou ao longo dos últimos quatro séculos na América Latina, mas algumas coisas permaneceram iguais. A maior parte do ouro do subsolo sul-americano (a que já foi encontrada) embeleza hoje as catedrais europeias. O cobre garante a geração, transmissão e uso da energia elétrica de boa parte dos países industrializados do mundo. Mas os milhares de mineiros continuam anônimos.
No Chile, os mineiros, não só os 33, passam anos debaixo da terra (mas de tempo em tempo dão uma paradinha e voltam para a superfície). Morrem de doenças respiratórias e não enriquecem. Os operários da mina San José, por exemplo, estavam com seus salários atrasados. Os mineiros que ficaram de fora, inclusive fizeram piquetes para cobrar a mineradora com cartazes com dizeres como “não se esqueçam dos outros 250” e “também estamos com fome”.
Tanto quanto a saída da mina, os 33 podem comemorar sua saída do anonimato. Hoje o mundo sabe, por exemplo, que Mario Gómez Heredia, 63 anos, o mais velho do grupo, trabalhava debaixo da terra desde os 12, sofre de silicose e agora também de pneumonia. Sabemos que ele, apesar da idade e da doença e de já ter perdido três dedos da mão em acidentes de trabalho anteriores, continuava trabalhando.
O episódio deveria servir para levar à reflexão sobre quantos e quantos morreram anônimos e escravizados, até hoje, buscando riquezas para garantir a satisfação da insaciável ganância e luxúria dos homens.
(Jornal do Povo - 23/10/2010)
por Leandro Cruz, historiador
Na semana passada o mundo inteiro ficou olhando para um buraco no chão, um buraco no meio do deserto. O resgate dos 33 mineiros chilenos foi um 11 de setembro às avessas. Se transformou num espetáculo televisivo internacional, mas em vez de perdas de vida em choques de aviões, desabamentos e saltos para a morte, víamos homens (que poderiam estar mortos e enterrados havia 70 dias) sendo trazidos de volta ao mundo dos viventes.
É claro que pessoas vão lucrar muito com essa história, como o presidente (que viu sua aprovação subir 15 pontos para 73%), editoras, estúdios e (esses merecidamente) os próprios resgatados.
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| Menina peruana trabalha na extração de ouro no Peru. A Organização Internacional do trabalho estima que 1,5 milhão de crianças latinoamericanas trabalham em minas |
A operação foi um sucesso incontestável. Os 33 estão vivos. Êxito da vontade de viver e do trabalho em equipe deles, da tecnologia e de um governo que enfrentava greves da população de origem indígena e via sua popularidade cair vertiginosamente. Caso morressem, entretanto, se juntariam a uma enorme multidão de homens que morreram ao longo da História na América Latina de forma anônima, buscando metais valiosos que jamais lhes pertenceriam.
Com gelo no Sul, deserto ao Norte, cordilheira a Leste e mar a Oeste, o território do Chile é geograficamente isolado do resto do mundo, o que, num mundo cheio de nações imperialistas, significa proteção. Até mesmo os Incas, um século antes da chegada dos europeus ao continente, haviam desistido de enfrentar as tribos autóctones daquela região e anexá-las aos seus domínios. Simplesmente, para eles, não valia a pena. Mas os espanhóis teriam uma maior sede por riquezas, uma maior determinação, cavalos e armas de fogo.
Acontece é que Francisco Pizarro, logo nas primeiras décadas do século XVI, já havia conquistado o Peru e saqueado os templos e palácios incas (pra não falar nas mulheres violadas e nos assassinatos). Desde então, não faltaram aventureiros em busca de metais valiosos, acreditando que pudessem também descobrir e subjugar outros impérios ricos, como os encontrados no Peru e no México.
Os indígenas entenderam o que os espanhóis queriam e, para que os espanhóis "dessem um pouco de sossego" aos seus povos, criaram a lenda do Eldorado. Diziam existir uma grande cidade em que até os palácios era feitos de ouro, em que o rei tinha o corpo besuntado de óleo e depois coberto de ouro em pó. As lendas exageradas iam se misturando com relatos cerimoniais sobre oferendas em ouro lançados em lagos profundos. A cada lugar que os espanhóis chegavam, os nativos indicavam um caminho diferente: mais ao sul, mais ao norte, no atual estado de Roraima, nas Guianas e no Chile (além do deserto e da montanha).Mas durante essa busca pela cidade de ouro não deixaram de cometer seus saques e violências contra os nativos que encontravam. Enquanto não achavam o Eldorado, nativos eram forçados a trabalhar nas minas.
Até então, a única coisa que os brancos conheciam sobre o território protegido pela Patagônia, pelo Atacama e pelos Andes eram relatos sobre seu litoral, "descoberto" por Fernão de Magalhães (ainda falaremos mais desse cara outro dia). O primeiro a buscar o Eldorado no Chile foi Diego de Almagro, companheiro de Pizarro na aniquilação e saque dos Incas. Ele cruzou os Andes, andou centenas de quilômetros e só achou gelo, deserto e morte. Desistiu depois de perder muito dinheiro e homens na aventura.
Outros vieram depois e, depois de descobrir os caminhos para vencer a cordilheira e ou o deserto, não foi difícil vencer os nativos. E uma vez que não existia nenhum palácio de metais valiosos por ali, os indígenas tiveram que ir para as minas, para o fundo da terra, tirar ouro e cobre para os brancos.
A história se repetia de maneira parecida por toda a América. Muita coisa mudou ao longo dos últimos quatro séculos na América Latina, mas algumas coisas permaneceram iguais. A maior parte do ouro do subsolo sul-americano (a que já foi encontrada) embeleza hoje as catedrais europeias. O cobre garante a geração, transmissão e uso da energia elétrica de boa parte dos países industrializados do mundo. Mas os milhares de mineiros continuam anônimos.
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| Na porção portuguesa da América Latina colonial, a mão de obra explorada na mineração era a de escravos africanos |
Tanto quanto a saída da mina, os 33 podem comemorar sua saída do anonimato. Hoje o mundo sabe, por exemplo, que Mario Gómez Heredia, 63 anos, o mais velho do grupo, trabalhava debaixo da terra desde os 12, sofre de silicose e agora também de pneumonia. Sabemos que ele, apesar da idade e da doença e de já ter perdido três dedos da mão em acidentes de trabalho anteriores, continuava trabalhando.
O episódio deveria servir para levar à reflexão sobre quantos e quantos morreram anônimos e escravizados, até hoje, buscando riquezas para garantir a satisfação da insaciável ganância e luxúria dos homens.
domingo, 17 de outubro de 2010
Salve o Saci! Salve a cultura brasileira!
por Leandro Cruz, historiador
Talvez eles estejam simplesmente se escondendo, preparando um plano de rebelião. O mesmo furor do consumismo, que desequilibrou os biomas e ameaça espécies de tantos bichos, é o mesmo culpado pela progressiva diminuição da população de sacis. Aqueles negrinhos pernetas, de cachimbo na boca e gorro vermelho estão ameaçados de extinção. Cada vez menos gente vê, cada vez menos gente escuta história sobre eles sob a luz de um lampião, de uma fogueira ou do luar.
Coitado do saci e de outros moleques. Tem criança mais amputada que o saci, aleijada de alma, de sonho, de imaginação. Alguns desses moleques “sonhetas” estão babando em frente à televisão. Outros se contorcem pelos becos tendo na mão um cachimbo bem diferente daquele do saci. O saci não é mal... ele só quer brincar. As outras crianças é que não querem ou não podem mais brincar com o saci. Elas estão ocupadas matando terroristas no computador ou procurando comida no lixo ou trabalhando.
O saci nasceu na floresta, entre os índios guarani do Sul do Brasil, pertinho do Paraguai e da Argentina. Eles ouviam um assovio ou canto melancólico vindo sabe-se lá de onde. Para eles, tratavam-se de uma brincalhona entidade da floresta, que jamais crescia ao tamanho de um adulto, se transformava em passarinho. O passarinho em questão é o Matinta-perêra (Tapera naevia é o nome científico), o mesmo nome do mito indígena. A ave é conhecido por seu assobio que ecoa em todas as direções, num canto que parece dizer “Sem fim... Sem fim...”.
Mas a barra ficou pesada quando os brancos chegaram e começaram a escravizar os nativos. Muitas tribos tiveram de migrar. E assim o mito foi sendo espalhado pelo Brasil, virou perneta no meio do caminho, chegou na senzala. Ali, o menino ficou pretinho e pelado, igual as crianças dos escravos, que se identificaram com o personagem, simbolo de liberdade e justiça contra as pessoas más. Nos quilombos, contava-se que ele ia nas fazendas, soltava animais e escravos, dava nó na crina dos cavalos. Entrava nas cozinha, onde trabalhavam as velhas negras, as mesmas que contavam história para as crianças, inclusive dos brancos. Saci que bagunçava tudo na cozinha e às vezes sumia com algumas broas e outras gostosuras. Assim o negrinho comia.
O gorro vermelho e furo na mão (característica presente só em algumas regiões do país) ele pegou do duende português Fradinho da Mão Furada. O comportamento por vezes vil do Fradinho faz com que algumas pessoas tenham medo dele e o considerem uma especie de diabinho. Mas quase ninguém tem medo dele, sabe que ele é só um negrinho brincalhão.
E realmente existem variações. Tem lugar em que ele nasce do bambu e é assexuado, tem lugar que se reproduz sexuadamente com sacizinhas, tem lugar em que o saci nasceu da união de um fazendeiro cruel com uma escrava.
Ao longo do século XX e começo do XXI, tem havido uma política de extermínio de sacis Os contos de fadas europeus, o audiovisual gringo, a falta de conversa entre gerações e também a falta de imaginação, são . As bruxas e bruxos e vampiros e o papai noel não querem deixar nenhum espaço pro saci.
É que o saci é subversivo. Ele não pede pra você comprar nada. Ele não instiga te instiga a querer um par de tênis (nem poderia) ou um novo jogo eletrônico. Ele só instiga a vontade de liberdade, vontade de brincar e de subir em árvore pra comer jabuticaba, goiaba e manga do pé. Ele é brasileiro e é criança de verdade, não é criança plastificada, por isso não querem o saci pulando por aí.
RESISTÊNCIA
Mas sempre teve gente defendendo o saci (em troca devem receber proteção na floresta...). Em 1917, por exemplo, foi publicado o livro “Sacy, resultado de um inquérito”, de Monteiro Lobato. A obra é resultado de uma pesquisa do escritor que havia pedido a seus leitores em O Estado de São Paulo para que lhe enviassem cartas de todo o país, contando sobre como era a lenda em sua região. Em muitas aventuras da turma do Sitio do Pica Pau Amarelo, ele também aparece.
Outro grande defensor do saci, é o cartunista Ziraldo, que criou a Turma do Pererê.
Hoje existem entidades como a SOSACI - Sociedade dos Observadores de Saci – e a ANCS – Associação Nacional dos Criadores de Saci - , com sede em Botucatu, que vêm fazendo um importantíssimo trabalho de resgate do personagem. E já começa a surgir um movimento para que ele seja o mascote da copa 2014.
Os amigos do saci conquistaram que no dia 31 de outubro seja comemorado o Dia do Saci. Ia ser bom se blogueiros, professores, avós, jornalistas, contadores de história ajudassem a divulgar o dia do Saci, em vez de pendurar abóbora com cara de má pelas escolas.
__________________________________________________________________
Textos e filmes para ajudar professores a pensarem nas atividades do Dia do Saci
VAMOS DIVULGAR A DATA
No twitter, vamos tentar colocar as hashtags #saci #diadosaci e #saci2014
Sínteses: http://www.brasilescola.com/folclore/saci-perere.htm
Sociedade dos Observadores de Saci: http://www.sosaci.org/saci_mascote1.htm
Campanha Saci, mascote da Copa 2014 http://www.sosaci.org/saci_mascote1.htm
Um artigo bacana de José Carlos Pontes, saciólogo http://migre.me/1AMjB
Documentário “Somos todos Sacys”, de Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha. Coprodução Confraria Produções e Rede SESCSENAC de Televisão.
Somos Todos Sacys from Confraria Produções on Vimeo.
Talvez eles estejam simplesmente se escondendo, preparando um plano de rebelião. O mesmo furor do consumismo, que desequilibrou os biomas e ameaça espécies de tantos bichos, é o mesmo culpado pela progressiva diminuição da população de sacis. Aqueles negrinhos pernetas, de cachimbo na boca e gorro vermelho estão ameaçados de extinção. Cada vez menos gente vê, cada vez menos gente escuta história sobre eles sob a luz de um lampião, de uma fogueira ou do luar.
Coitado do saci e de outros moleques. Tem criança mais amputada que o saci, aleijada de alma, de sonho, de imaginação. Alguns desses moleques “sonhetas” estão babando em frente à televisão. Outros se contorcem pelos becos tendo na mão um cachimbo bem diferente daquele do saci. O saci não é mal... ele só quer brincar. As outras crianças é que não querem ou não podem mais brincar com o saci. Elas estão ocupadas matando terroristas no computador ou procurando comida no lixo ou trabalhando.
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| Índios e caboclos acreditavam que o saci se transformava no passarinho Tapera naevia |
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| Grafite numa rua de Santo André |
O gorro vermelho e furo na mão (característica presente só em algumas regiões do país) ele pegou do duende português Fradinho da Mão Furada. O comportamento por vezes vil do Fradinho faz com que algumas pessoas tenham medo dele e o considerem uma especie de diabinho. Mas quase ninguém tem medo dele, sabe que ele é só um negrinho brincalhão.
E realmente existem variações. Tem lugar em que ele nasce do bambu e é assexuado, tem lugar que se reproduz sexuadamente com sacizinhas, tem lugar em que o saci nasceu da união de um fazendeiro cruel com uma escrava.
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| A torcida do Internaciona l de Porto Alegre adota o Saci como mascote |
É que o saci é subversivo. Ele não pede pra você comprar nada. Ele não instiga te instiga a querer um par de tênis (nem poderia) ou um novo jogo eletrônico. Ele só instiga a vontade de liberdade, vontade de brincar e de subir em árvore pra comer jabuticaba, goiaba e manga do pé. Ele é brasileiro e é criança de verdade, não é criança plastificada, por isso não querem o saci pulando por aí.RESISTÊNCIA
Mas sempre teve gente defendendo o saci (em troca devem receber proteção na floresta...). Em 1917, por exemplo, foi publicado o livro “Sacy, resultado de um inquérito”, de Monteiro Lobato. A obra é resultado de uma pesquisa do escritor que havia pedido a seus leitores em O Estado de São Paulo para que lhe enviassem cartas de todo o país, contando sobre como era a lenda em sua região. Em muitas aventuras da turma do Sitio do Pica Pau Amarelo, ele também aparece.
Outro grande defensor do saci, é o cartunista Ziraldo, que criou a Turma do Pererê.
Hoje existem entidades como a SOSACI - Sociedade dos Observadores de Saci – e a ANCS – Associação Nacional dos Criadores de Saci - , com sede em Botucatu, que vêm fazendo um importantíssimo trabalho de resgate do personagem. E já começa a surgir um movimento para que ele seja o mascote da copa 2014.
Os amigos do saci conquistaram que no dia 31 de outubro seja comemorado o Dia do Saci. Ia ser bom se blogueiros, professores, avós, jornalistas, contadores de história ajudassem a divulgar o dia do Saci, em vez de pendurar abóbora com cara de má pelas escolas.
__________________________________________________________________
Textos e filmes para ajudar professores a pensarem nas atividades do Dia do Saci
VAMOS DIVULGAR A DATA
No twitter, vamos tentar colocar as hashtags #saci #diadosaci e #saci2014
Sínteses: http://www.brasilescola.com/folclore/saci-perere.htm
Sociedade dos Observadores de Saci: http://www.sosaci.org/saci_mascote1.htm
Campanha Saci, mascote da Copa 2014 http://www.sosaci.org/saci_mascote1.htm
Um artigo bacana de José Carlos Pontes, saciólogo http://migre.me/1AMjB
Documentário “Somos todos Sacys”, de Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha. Coprodução Confraria Produções e Rede SESCSENAC de Televisão.
Somos Todos Sacys from Confraria Produções on Vimeo.
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