sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

11 de Fevereiro, a antítese perfeita do 11 de Setembro

Obrigado Egito! Parabéns Egito! Pode comemorar...

Obrigado Egípcios. A festa é enorme, gente do mundo todo saúda e comemora mas só vocês, os protagonistas e donos da festa é que podem sentir nesse momento o sabor da vitória, da libertação.Vocês merecem, caras.
Vocês sentiram o peso dessa ditadura sustentada pelo capitalismo Ocidental bem como o peso dos comunistas e reis e tantos outros que vocês carregaram em suas costas. Vocês sentiram o peso das pedras das pirâmide e de 7 mil anos carregando tantas outras pedras para faraós, para os helênicos, para romanos, para os califas, para franceses, para os ingleses, para os soviéticos, para os americanos. Vocês que construíram ao longo da história tanta coisa grande e bela para outrém, mereciam sentir enfim esse gosto, que deve ser delicioso, que é o gosto da Liberdade.
Eu acredito em vocês. Você não vão deixar nem militares nem clérigos dizerem pra onde vai a História.
E ao fazer história, vocês mostraram ao mundo o que os governos querem esconder. Você nos deram imagens lindas de fraternidade e coragem. Começo esse tópico com a comemoração da vitória de vocês, pessoas do egito, comemorando nesse 11 de fevereiro. Penso ser essa a antítese perfeita às imagens do 11 de setembro de 2001. Até hoje, eles repetem aquilo à exaustão. O 11 de meio que ditava como seria o século.
Governos Ocidentais adoram aquelas imagens, pois assim estavam justificando as suas atrocidades e imposições fundamentalistas e mentirosas cometidas mundo a fora. O que dizem agora???
As imagens do 11 de fevereiro (e também as que as antecederam desde o dia #25Jan)são imagens de vida, de explosão de alegria, de pessoas vencendo governos (e não de governos derrotando pessoas). Que seja essa a cara do novo milênio, uma cara risonha de quem a certeza de que o povo ESTÁ no poder e não simplesmente "aparenta" estar no poder.





PS: #SeCuidaSarney

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Barriga sem pão + Celular na mão = Revolução

Setembro de 2010, garoto posa para foto durante
confrontos entre as pessoas e as forças do governo
em Maputo, Moçambique.

Moçambique fez o primeiro levante convocado por SMS da História, e foi em bom português

Meus dedos pulam no teclado enquanto a História acontece. Egito, Tunísia, Iêmen, Jordânia, Argália, Gabão... Pessoas estão enfrentando e na maioria dos casos vencendo, derrubando gabinetes, primeiros-ministro e até chefes de Estado. Um processo histórico já em andamento há algum tempo, mas que só agora vêm à tona, de uma vez, numa espécie de Zeitgeist (em alemão o “Espírito de uma época”, conceito cunhado por Johann Gottfried von Herder). Na virada do ano escrevi que “o verdadeiro embate da próxima década não será entre ocidente e oriente, entre esquerda e direita, mas entre o autoritarismo centralizador e a liberdade do homem” (Jornal do Povo, 31.12.2010/01.01.2011). Num planeta em que, segundo a ONU, dois terços da população mundial não se sente representados por seus governos e as pessoas começam a descobrir que não estão sozinhas, uma hora a verdade aparece.
Mas que ninguém se engane achando que o que se passa ali é um fenômeno regional.
Não tem a ver com religião nem geografia, simplesmente. É uma mudança de paradigmas da maneira como as pessoas se relacionam entre elas e com os seus governos. Ou alguém acha que foi só depois de 30 anos que as pessoas passaram a não gostar do bem Ali, do Mubarak e etc?

Culpa da Internet? Sim e não. A internet é uma invenção humana e foram os humanos que construíram coletivamente esse espaço. Logo, quem está fazendo revoluções são as pessoas, que USAM as novas tecnologias de informação.
A polícia e o Exército de Moçambique foram mobilizadas
para reprimir as manifestações dos famintos
Imagina um país com celular barato e pão caro? Eu sempre disse que, se um trabalhador não tem pão, é porque alguém está comendo croissant com o suor dele. No Moçambique, lá no sudeste da África (perto de Madagascar), aconteceu a não-televisionada Revolta do Pão, em 2010, precursora dos levantes que vemos hoje, a primeira rebelião nacional convocada assim. "Moçambicano, prepara-te para a greve geral 01/09/2010. Contra a subida do preço do pão, água, luz e diversos. Envie para outros moçambicanos. Despertar!" Essa mensagem, e outras similares se espalharam rapidamente pelo país que fala português e tem 70% da população abaixo da linha da pobreza no final de agosto passado. Num lugar onde o salário médio do trabalhador é US$ 37 ao mês o preço do pão havia subido do equivalente a US$ 0,14 para US$ 0,20.
São as contradições gritantes do modelo liberal globalizado. Os números do mercado dizem que o Moçambique vai bem, mais que quintuplicou seu PIB na década passada graças a investimentos estrangeiros na exploração do alumínio e na Agricultura voltada para a exportação.
Eis a questão: os dados do Mercado Financeiro NUNCA refletem a verdade da Economia de um País. Economia, por definição é a maneira como se produz, distribui e utiliza bens materiais e imateriais. A economia saudável é harmônica entre as partes: trabalho, pessoas, meios de produção, geração de resíduo, etc. É como uma pessoa, uma criança;a, que cresce rápido demais (seja pra cima ou pros lados), mas tem problemas de circulação e os pés começam a se deteriorar por não são nutridos, mesmo que o corpo tenha bastante sangue. Essa pessoa que cresce, pode ser chamada de saudável?
Moçambique é um grande produtor de algodão e cana de açúcar voltado para o mercado externo. Mas, depende do trigo importado. E, quando secas atingem a Rússia e enchentes atingem a Austrália, afetando a produção mundial de trigo aumenta. E sim, a culpa é dos governos e corporações que não se preocuparam com a segurança alimentar da Nação.

Todo mundo que depende de comida importada se dá mal. E sempre que falta alguma coisa no Mercado mundial, a alta dos preços e o desabastecimento atingem sempre de maneira mais dura, os países da África.
Da mesma maneira, quando algo está sobrando, despeja-se na África (inclusive lixo). Andei pesquisando sobre a telefonia movel no mercado Moçambicano e achei duas páginas de 2009 que podem ser ser chamadas de documentos Histórico: o anuncio da operadora anglo-germânica Vodafone anunciando a chegada de novos modelos de celulares, incluindo a tecnologia 3G, que desaguariam no país, com preços bem abaixo do mercado internacional. Tratavam-se de parelhos com serviços de SMS e correio de voz, fabricados em países asiáticos (por isso exportar o excedente para a costa leste da África) já “superados” no exigente mercado ocidental sempre sedento de novidade. Os "restos” de celulares da “civilização” chegaram ao Moçambique ao preço de US$15. O milagre acontecia graças também ao apoio do Estado às empresas estrangeiras.

Mas como sempre, a ajuda dos governos liberais ao grande Capital estrangeiro, sempre vêm acompanhado de cortes ou no apoio à agricultura familiar, ou a serviços públicos. No caso, em 2010 cortou o subsídio da água. Além disso e tinha sido irresponsável na sua política cambial tornando mais cara a farinha de trigo vindo da África do Sul, justamente quando este produto estava altamente valorizado nas bolsas de mercadoria do mundo, já que dois grandes produtores enfrentavam quebra da produção devido a catástrofes ambientais. PERCEBE COMO ESTÁ TUDO CONECTADO?
O governo havia dito, respondido às eventuais críticas da oposição, que o aumento do preço dos produtos básicos era irreversível: Ninguém sabe se foi uma pessoa ou duas ou 100 que primeiro tiveram a ideia de, em vez de reclamar ao governo, reclamar umas às outras. Mas no começo de setembro as ruas estavam tomadas por pessoas famintas com uma bandeira vermelha na mão e um celular na outra. O governo tenta conter a população com o exército a atira, e a TV a dizer que o mercado é que dita as regras, infelizmente, mas não tem jeito.

Moçambicanos, o Guebuza (Armando Guebuza, presidente) e seus lacaios estão a mentir como sempre mentiram. Não paremos com a greve até que o governo adote medidas para a redução do custo de vida. A luta continua” animavam novos SMS. No dia 7 de setembro, após uma semana de protestos que o governo tornou violentos (quando os números oficiais apontavam 13 mortos, 500 feridos e 300 presos) o pão voltou a seu preço de 14 cents, o preço da água baixou, graças a subsídios do Governo que anunciou que aumentará a produção nacional de trigo no país (que hoje produz apenas 30% do que consome, já que a terra é ocupada por cana e algodão). Em outubro do mesmo 2010, o governo começou a implantar políticas de controle de informação e regulamentação do uso de celulares.
O episódio já foi batizado de A Revolta do Pão, a primeira da Históri organizada via SMS, mais um capítulo da briga para saber se governos devem controlar as pessoas ou se são as pessoas que devem controlar seus governos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

World Wide Ágora

Foi lançado no começo desse ano o portal Teia Livre, um espaço democrático para as pessoas debaterem os temas e os pontos de vista que não estão representados na grande Mídia.
Lá você pode comentar à vontade, além de compartilhar suas propostas e novas idéias, ler outros enfoques de noticias, ver traduções de artigos feitos por pessoas do mundo todo.
É significativo que o lançamento do portal, que cresce a cada dia, tenha coincidido com os levantes democráticos no mundo árabe.
Abaixo, resumo de meu artigo de estreia no portal, que fala justamente a Worl Wide Ágora. clique sobre ele para ler.




Teia Livre